Daniela Lustosa - Ascom Multmais

Depois da Resolução da Diretoria Colegiada 96/08, da Anvisa - que, entre outras coisas, proíbe a indicação de medicamentos por celebridades e veta a distribuição de amostras grátis e brindes com o nome do produto – agora foi a vez da Resolução 44/09 retirar das gôndolas os medicamentos sem prescrição médica (OTC) e restringir a venda de produtos e prestação de serviços nas farmácias. Foram dois ataques da Agência de Vigilância Sanitária ao segmento farmacêutico em apenas dois meses.
A nova resolução estabelece um uso racional dos produtos para evitar a automedicação e garantir a saúde da população, de acordo com a política nacional de medicamentos, mas será que as medidas são mesmo a solução para o problema ou simplesmente vão de encontro a uma tendência já consumada em países de primeiro mundo? Para parte significativa da população, as novas exigências vieram para complicar um formato que vinha dando certo.
A lógica foi deturpada, interpretada pelo avesso. Um consumidor entra na farmácia para comprar um dipirona, paracetamol ou dicoflenaco. Aí, tudo bem, ele se depara com um shampoo e lembra-se de que o seu, em casa, já está acabando. O mesmo acontece com o chocolate, o biscoito ou o chiclete. No final das contas, a farmácia é prática e algumas pessoas já a adotaram como ponto de venda de sua preferência. No interior do Estado, a situação vai além de uma questão de gosto – a farmácia, muitas vezes, é a única opção para pagamentos de contas, entre outros serviços.
Ao interferir em ações deste tipo, a Anvisa esperar restringir o uso de medicamentos, mas como? Colocando-os atrás de um balcão e evitando as visitas extras de consumidores interessados em comprar um bombom? Não seria mais adequado educar a população através de campanhas e de uma fiscalização para que produtos com restrição médica apenas fossem comprados por pessoas com receita?
O Governo e seus órgãos regulatórios poderiam dedicar a mesma energia com a qual cercam as farmácias ao sistema de saúde brasileiro. Certamente, com mais acesso à saúde, a população estaria mais assistida e a cultura da automedicação combatida. Sem a oportunidade de ter uma consulta médica, qualquer um recorre à farmácia para obter um medicamento. E o pior, todas as normas da Anvisa não irão evitar que isto continue a acontecer.
Como se não bastassem os altíssimos impostos sobre medicamentos, os donos de farmácia agora têm um leque menor de produtos para venda, graças à Anvisa. Para as grandes redes as mudanças podem passar discretamente, mas o mesmo não acontece com o pequeno empresário. O faturamento cai e o consumidor corre o risco de ser mais uma vez prejudicado, já que a diferença pode incidir sobre os medicamentos.
É claro que toda e qualquer empresa está constantemente em busco de lucro, mas daí a pensar que a indústria farmacêutica e os empresários do setor querem manipular a população, já é demais. Medicamento está longe de ser a maior fonte de lucro das empresas e se as coisas continuarem neste ritmo o negócio tende a não ser mais promissor para os empresários. Estão em jogo, portanto, geração de emprego, desenvolvimento e também o direito do consumidor - de escolher e de comprar.
Se for mesmo em nome da saúde pública que a Anvisa regulamenta o setor, então que venha às farmácias conhecer a realidade da população e também do empresariado, que fiscalize a venda de medicamentos restritos, que vá ao interior do Estado. Talvez assim a respeitada Agência deixe de se preocupar com a comercialização de picolé nas farmácias e o Governo passe a considerar medidas que estejam de fato adequadas à realidade e carências da população.
13 de dezembro de 2011
Pintando o 7 na Rede fez o ano mais colorido
07 de novembro de 2011
LIBERADA! Mas com restrições...
10 de outubro de 2011
Descarte de medicamentos, um dever de todos
02 de agosto de 2011
Rede Multmais faz a alegria da criançada com a Campanha Pintando o 7 na Rede
10 de maio de 2011