Descarte de medicamentos, um dever de todos
Daniela Lustosa - Assessora de Comunicação
02 de agosto de 2011
Que as toneladas de lixo produzidas diariamente no Brasil se tornaram um problema mundial todo mundo já sabe, mas o que dizer sobre o lixo tóxico? Que tipo de malefícios o descarte de medicamentos em local inadequado traz para a saúde das pessoas, dos animais e das plantas ou para a qualidade do solo e da água? Onde descartar medicamentos vencidos ou as suas sobras? E, afinal, de quem é esta responsabilidade?
O assunto é discutido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária desde 2008. Para garantir a proteção da população e do meio ambiente, a Anvisa tem tratado o tema como prioridade e espera definir ainda este ano uma política para o descarte adequado de medicamentos. Segunda a Agência, a responsabilidade é compartilhada entre o poder público, o setor produtivo e os usuários. A discussão segue as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
Para implantar a logística reversa de resíduos de medicamentos foi criado em março deste ano o Grupo de Trabalho Temático de Medicamentos (GTT), coordenado pelo Ministério da Saúde com o apoio da Anvisa, e formado por representantes do poder público, da indústria farmacêutica, das entidades de classe e da sociedade civil. O trabalho deve durar seis meses, podendo ser prorrogado por mais seis. A proposta para o descarte adequado de resíduos tóxicos deve ficar pronta ainda este ano.
Enquanto isso - As substâncias químicas presentes nos medicamentos podem contaminar o solo e a água, quando dispensados de forma inadequada. Em casa, o vaso sanitário, a pia e o lixo são, na maioria das vezes, os locais utilizados pela população na hora do descarte. Desta forma, as substâncias vão parar na rede de esgoto, que não consegue eliminar compostos químicos em suas estações de tratamento. Os rios, portanto, ficam sob risco de contaminação. Nos lixões acontece o mesmo. Devido a problemas sociais, pessoas têm contato com os medicamentos.
A situação é séria. Se por um lado é perigoso manter medicamentos vencidos ou sobras deles em casa, por outro lado é preciso prestar atenção antes de se desfazer deles. Enquanto não se define uma política adequada para o descarte de fármacos, estabelecimentos do varejo podem aproveitar a situação para agir de forma a conscientizar a população e beneficiar o meio ambiente.
Em parceria com órgãos como a Limpurb é possível criar mecanismos de dispensa de embalagens primárias de medicamentos – aquelas que têm contato com a substância química (frascos, bisnagas e utensílios cortantes). Com a cultura de preservação do meio ambiente cada vez mais propagada, não é difícil conseguir a adesão das pessoas. A população, por sua vez, precisa estar atenta à forma correta de descarte, por exemplo: as embalagens originais dos medicamentos sempre devem ser mantidas.
Xaropes devem ser dispensados nos seus recipientes de vidros, e o mesmo acontece com as pomadas – que não deve ter o seu conteúdo retirado. Os comprimidos também não precisam ser destacados das cartelas. Seringas e agulhas devem estar em latas ou demais recipientes que impeçam perfurações. Já as caixas e bulas podem ser aproveitados para reciclagem, uma vez que não tiveram contato com o fármaco. Com milhões de unidades de medicamentos chegando às mãos da população todos os meses, o apoio das pessoas, do governo, da indústria e do varejo é indispensável para a preservação do meio ambiente.