Daniela Lustosa | Assessoria de Comunicação

À frente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Estado da Bahia – Sincofarba há oito anos, João Arthur deixou a Presidência da associação no último mês de março. A partir de agora quem exerce a função é o Presidente da Rede de Farmácias Multmais, o Sr. Roberto Lima, que tomou posse do cargo na última quarta-feira, 31. Com a experiência de duas gestões, marcadas por conquistas e dificuldades, João Arthur falou para a Multmais sobre os altos e baixos de estar na direção do Sincofarba e qual deverá ser o principal desafio para o novo Presidente. Confira na entrevista:
1. Multmais: Qual a principal atribuição do Sincofarba e a sua importância para a categoria?
J.A: O Sindicato surgiu para defender e representar o segmento. É o único com poder legítimo para representar a categoria perante os poderes legislativo, executivo e judiciário. Trata-se da força política necessária para a criação de projetos de lei que beneficiem a classe. O Sindicato existe para defender interesses legítimos e trazer benefícios para a coletividade.
2. Multmais: E esta coletividade, de que forma participa do Sindicato?
J.A: Pouquíssimos participam efetivamente ou contribuem. É lastimável. Quando falo em Sindicato tenho que me referir basicamente à Diretoria. É difícil fazer com que os empresários participem mais e o problema é que não se faz milagres com meia dúzia de pessoas.
3. Multmais: Quais foram as maiores dificuldades encontradas nestes oito anos de gestão?
J.A: Temos dois grandes problemas, a falta de recurso e a pouca participação. Os farmacistas, normalmente, só aparecem quando surgem assuntos de seus interesses. Portanto, não é possível dividir as tarefas do dia-a-dia, embora a cobrança por resultados seja grande. Aqueles que participam mais ativamente terminam tendo que arcar com o ônus. As pessoas querem saber, principalmente, o que o Sindicato tem a oferecer-lhes, mas nunca se perguntam sobre como podem colaborar para o fortalecimento do grupo. Sindicato é movimentação, participação. Presidente nenhum consegue resolver a deficiência disto. Sobre a falta de recurso, não sei se 200 lojas chegam a contribuir regularmente. Para crescer e ganhar força é preciso trabalhar de forma preventiva e não procurar o Sindicato somente quando surgem as crises. É necessário promover debates, campanhas, exercitar.
4. Multmais: Sobre as conquistas do Sincofarba, o que podemos destacar neste período?
J.A: Temos algumas conquistas que merecem destaque, como o acordo coletivo firmado com o sindicato dos funcionários - referente aos reajustes salariais, ou a vitória que obtivemos junto ao sindicato dos farmacêuticos. A Bahia é hoje um dos poucos estados brasileiros onde não é exigido o pagamento do piso salarial. Farmacêuticos e empresários, portanto, estão livres para negociação. Conseguimos também reduzir de 15 mil para 500 reais a taxa de inscrição das farmácias na Agência de Vigilância Sanitária, a Anvisa. O Conselho Regional de Farmácia também nos exige uma contribuição exorbitante, mas nós ganhamos judicialmente todos os anos.
A maior conquista do Sindicato, no entanto, foi o resultado da Fecofarma – evento que realizamos em 2003 e 2005 com apoio da ABCFarma. Na ocasião, promovemos palestras e debates sobre assuntos pertinentes para a categoria e contamos com a participação de todo o segmento de farmácias, laboratórios, distribuidores, etc. Em 2003 foi quando tivemos uma grande vitória - conseguimos enviar para o Congresso Nacional, em Brasília, um Projeto de Emenda Constitucional com a proposta de redução tributária de medicamentos. Colhemos várias assinaturas. O processo não andou, mas fizemos uma grande articulação política. Em termos de participação e debate foi um grande avanço.
Nestes últimos anos também ganhamos ações contra os descontos oferecidos pelas grandes redes - uma articulação predatória. Trabalhamos exaustivamente para diminuir essas vantagens sobre as pequenas empresas.
A vitória mais recente foi a liminar que conseguimos, através da ABCFarma, contra a proibição da venda de não-medicamentos nas farmácias, uma determinação da Anvisa. Além de todas essas ações que mencionei, considero de extrema importância a participação que temos em organizações como a Confederação do Comércio, o Senac, a ABCFarma, entre outras. Isso nos dá maior representatividade política e faz com que sejamos mais ouvidos.
5. Multmais:De que forma você interpreta ações como a Resolução 44 da Anvisa, que impõe uma série de restrições às farmácias?
J.A: É radical. Parece estar fora de época. Não sou contras as regras, mas não vejo o porquê de proibir a venda de produtos de conveniência nas farmácias. As pessoas procuram facilidade. Não podemos colocar, por exemplo, um freezer no meio de prateleiras de medicamentos, mas daí a proibir a venda... Se existem produtos que fazem mal à saúde, então, estes deveriam ser retirados de qualquer estabelecimento e não somente das farmácias. Um hospital é algo muito mais complexo e nem por isso deixa de ter suas máquinas de refrigerante, salgadinhos, doces e coisas do gênero. Leis como esta parecem ser feitas por burocráticos, que não conhecem a prática. Sou a favor das regras, desde que sejam coerentes.
6. Multmais: Qual o papel do Sindicato neste caso?
J.A: Cabe ao Sindicato promover uma mobilização jurídica e política, procurar as esferas cabíveis e se fortalecer. Neste caso da Anvisa poucos foram consultados. Encontrar nas farmácias uma variedade de produtos é uma exigência e necessidade das pessoas, porém a população não foi ouvida. Hoje, já se sabe que a maioria dos cidadãos é contra esta resolução. Político tem medo e respeita voto, portanto, participação é fundamental.
7. Multmais: Em sua opinião, quais serão os principais desafios de Roberto Lima na gestão que teve início no último dia 31?
J.A: Roberto tem mais tempo de Sindicato do que eu, inclusive. Cada pessoa tem a sua capacidade e energia próprias. Roberto tem, sem dúvida, muito potencial e conhecimento. Não teríamos, em minha opinião, ninguém mais apropriado para ocupar o cargo de Presidente do Sincofarba. Acredito que ele vai trabalhar para o fortalecimento do Sindicato e para que tenhamos mais respeito e representatividade, mas ainda assim vai se deparar com a falta de consciência e de mobilização da maioria dos empresários. A pouca participação pode ser cultural, pois vejo as pessoas sem vontade de lutar. Incentivar e conseguir maior participação do associado, portanto, vai ser, certamente, o grande desafio. Unidos, somente unidos, será possível fazer uma série de coisas.
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