Daniela Lustosa - Assessoria de Comunicação

Depois de mais de seis meses de discussão, a polêmica questão sobre a proibição ou não dos medicamentos inibidores de apetite finalmente ganhou um desfecho no país. Proibida nos Estados Unidos e na Europa, a Sibutramina – o mais popular dos emagrecedores – está liberada para o tratamento de obesidade no Brasil, mas com restrições.
A decisão foi tomada pela Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última terça-feira, 04. Na mesma reunião foi determinado que os medicamentos do tipo anfetamínico (femproporex, mazindol e anfepramona) serão retirados do mercado devido à falta de estudos que comprovem os benefícios dessa substância, bem como de seus efeitos colaterais – conforme alegou a Agência. Estes medicamentos terão os registros cancelados, o que significa que está proibida a produção, comércio, manipulação e uso no Brasil – e sairão de circulação em até 60 dias.
Quanto à sibutramina entre as restrições está a descontinuidade de seu uso em pacientes que não obtiverem resultados satisfatórios após quatro semanas de utilização do remédio. Para adquirir medicamentos derivados dessa substância, pacientes e médicos também serão obrigados a assinar um termo de responsabilidade, a ser entregue na farmácia ou drogaria juntamente com a receita médica no momento da compra. Para a Anvisa, é uma forma de controlar o uso da sibutramina e garantir que o paciente recebeu do médico os devidos esclarecimentos sobre os riscos e benefícios de tratar a obesidade com este tipo de emagrecedor.
Tanta polêmica e restrições se devem à divulgação de um estudo, feito em 11 países, que constatou um aumento de 16% nos casos de morte por derrame e ataque cardíaco de pessoas medicadas com sibutramina. O estudo considerou um grupo de 10 mil pacientes com problemas cardiovasculares. A notícia fez com que a produtora do remédio de marca, a Abbott, retirasse o medicamento do mercado em vários países, inclusive no Brasil.
Agora, após a Anvisa anunciar sua posição com relação aos inibidores de apetite, o Ministério Público do Distrito Federal e de outros Estados já se pronunciaram sobre entrar com uma ação contra a proibição e restrições impostas pela Agência. Enquanto isso, o Conselho Federal de Medicina já se decidiu sobre a briga na Justiça. Para a classe, a Agência tomou a decisão de forma isolada, sem ouvir a comunidade médica. Em meio a tudo isso, resta à população e ao crescente número de pacientes medicados com os emagrecedores aguardarem os próximos capítulos desta novela, que para os consumidores da anfetamina não teve um final feliz.
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