Fonte: Uol
Voltar das férias nunca foi uma experiência que o gerente de marketing Haryston Oliveira, 34, tenha apreciado muito. Há dois anos, no entanto, o sofrimento passou dos limites. Depois de três semanas de folga nos Estados Unidos, o chamado do despertador para retomar o trabalho tornou-se motivo de desespero diário. "Eu sofria para levantar, tomar banho era um suplício, não conseguia me ajeitar nem para fazer a barba", lembra. Às cinco da tarde, dores de cabeça e um cansaço fora do normal faziam com que ele sentisse o peso de toneladas em seus ombros. Sem saber, Haryston apresentava alguns dos sintomas mais comuns de depressão pós-férias, problema relacionado ao gerenciamento de estresse na volta ao trabalho.
Trocar os chinelos pela gravata na segunda-feira costuma gerar um mal-estar passageiro depois de um período maior de descanso. "Quando as pessoas começam a ter um código para vestir, um horário para levantar ou almoçar, é normal ressentir isso em um primeiro momento", afirma Ana Maria Rossi, presidente da Isma Brasil (International Stress Management Association no Brasil), associação voltada para a pesquisa e prevenção do estresse.
O problema, explica a psicóloga, é quando essa tristeza passa de uma simples readaptação e dura mais de 14 dias, geralmente acompanhada de outros sintomas, como dores musculares e de cabeça, angústia, ansiedade e distúrbios do sono. A falta de motivação para levantar da cama, narrada por Haryston, é outro indício.
Mal comum
Segundo pesquisa divulgada pelo Isma no último ano, a depressão pós-férias é compartilhada por cerca de 23% dos brasileiros. Em 93% desses casos, a falta de motivação no trabalho é apontada como a principal causa, seja por falta de perspectiva, ambiente inseguro ou conflitos de relacionamentos. "É importante perceber que a depressão é produto da insatisfação nos outros meses e não consequência das férias", diz Ana Maria. "A pessoa sofre mais com isso depois de um período em que ela tem maior controle sobre sua vida."
A depressão pós-férias, segundo a psicóloga, costuma ser passageira. Caso os sintomas persistam por mais de 30 dias, é importante buscar ajuda de um especialista para verificar outros problemas que podem influenciar no sofrimento.
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