Final de ano é sempre a mesma coisa. As pessoas se deixam levar pelas festas de final de ano e o ritmo de trabalho parece desacelerar. O clima é de férias, verão e festa. Uma série de serviços – inclusive público – fica lenta ou indisponível. Isto não seria exatamente um problema se – após o Natal e Réveillon – tudo voltasse ao normal. Em Salvador, os cerca de 50 quilômetros de praia, a visitação intensa de turistas e, principalmente, o carnaval são responsáveis por manter o ritmo ainda em marcha lenta.
Este ano, com o carnaval agendado para março, no entanto, as coisas foram diferentes. Não se pode ficar, afinal, em ritmo de “empurra” durante dois meses – janeiro e fevereiro – para só então acordar para a realidade. O carnaval ficou mais distante das festas típicas de final de ano, o que fez com que as pessoas “esquecessem” um pouco da maior festa popular do mundo e resgatassem as suas rotinas. Resultado? Maior produtividade em todos os setores e agilidade em serviços que, antes, seriam prejudicados.
Com dois meses até o carnaval ganha também o setor de turismo – já que o período de férias é alongado, o que movimenta a economia dos principais destinos do país. Além disso, o intervalo entre as festas permite que o turista volte a se capitalizar. Ganham com isto, principalmente, as agências de viagem - ansiosas pelas vendas de seus pacotes turísticos. Depois, todo o segmento de restaurantes, hotéis, etc.
Nas cidades onde o carnaval é intenso – a exemplo de Salvador, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo – as opiniões se dividem com relação ao calendário carnavalesco, mas muitos já defendem uma data fixa para a festa. Hoje, o período é definido com base na Páscoa, que deve acontecer no primeiro domingo após a primeira lua cheia de outono – estação que tem início em 20 de março. O carnaval acontece, então, quarenta dias antes da data religiosa. Por causa da regra, no Rio de Janeiro, especula-se que 1 bilhão de reais deixem de ser movimentados sempre que o carnaval é realizado no início de fevereiro. Além disso, é menos um mês de ensaio das escolas de samba – o que significa menor venda de bebidas e alimentos.
Com o carnaval realizado em março, uma rara exceção, a famosa frase No Brasil, o ano só começa depois do carnaval “desceu avenida abaixo”. O jeito, então, foi voltar ao batente para, só agora, aproveitar a folia. Para os empresários da indústria carnavalesca, uma vantagem: mais tempo para planejamento, negociações, ensaios e organização. Para o folião, um tempinho a mais para juntar dinheiro, pesquisar preços, planejar viagens e, claro, tocar a vida antes de cair na folia.

Wanderley Fernandes
Diretor da Multmais
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