Fonte: JB Online | Por Marcelo Fernandes
RIO - O Ministério da Saúde começou segunda-feira a vacinação contra o vírus da gripe suína – influenza A(H1N1). Mas o fato de, no cronograma, não estarem indivíduos entre 2 e 20 anos – exceto aqueles com doenças crônicas que poderiam se agravar com a contaminação – e recém nascidos menores de seis meses intriga parte da população.
A justificativa do ministério é a de que não há vacina suficiente para todos. Por isso, a prioridade seria imunizar os grupos mais vulneráveis, diminuindo o risco de uma pandemia, o que poderia resultar no agravamento de doenças pré-existentes e em mortes. Já os menores de seis meses não tomarão a vacina pois não há estudos que comprovem sua eficácia nesta faixa etária.
O governo lembra ainda que, caso ocorram alterações na situação e disponibilidade da vacina, outros grupos poderão ser imunizados em novas etapas da estratégia nacional.
O economiário (servidor da Caixa Econômica Federal) Daniel Lima, pai de Sofia, de quatro anos, teme que a mutabilidade do vírus possa causar complicações na faixa etária que não será beneficiada.
– Me preocupo com minha filha. – diz Daniel. – A gente não sabe o quanto esse vírus pode se modificar.
A opinião dele é compartilhada pela técnica em enfermagem Mônica Miller da Silva e Silva. Mãe de uma adolescente de 14 anos e um menino de 8, ela diz conhecer o procedimento, por já ter trabalhado em postos de saúde.
– É preocupante saber que eles estão expostos. – afirma Mônica. – Gostaria que todos tivessem acesso às vacinas, mas sabemos que não é bem assim, que nunca existe recurso para todos.
Segundo o infectologista e chefe do Departamento de Pediatria do Hospital Pedro Ernesto, Marcos do Lago, menores de seis meses normalmente estão sob cuidados dos pais e possuem a vantagem da imunidade pós-parto, mas o ideal seria que a vacinação abrangesse todas as outras faixas etárias.
– Segundo os dados do Ministério (da Saúde), a chance de uma pessoa nessa faixa etária morrer é menor do que em outros grupos de risco. – informa o médico. – Porém, menor não quer dizer que seja impossível. Pelo que tenho lido, o argumento de que faltariam vacinas não é real, e em alguns países ricos o produto estaria sobrando.
O médico ressalta que a vacina é segura, mas pode causar alguns efeitos colaterais:
– O indivíduo pode sentir dor no local da aplicação ou um pouco de mal-estar, mas a vacina é totalmente segura. Hoje, não consegui tomar, mas irei o mais rapidamente possível – garante.
Instituições privadas poderão aplicar a vacina
Clínicas e hospitais particulares poderão, se quiserem, adquirir doses da vacina contra a gripe suína para aplicar em pessoas que não fazem parte do cronograma do Ministério da Saúde, segundo informou o próprio órgão segunda-feira ao JB. Mas a aquisição do medicamento depende de negociações entre as unidades particulares e os laboratórios.
De acordo com o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde do Município do Rio de Janeiro (SINDHRIO), ainda não foi detectada uma movimentação das clínicas e hospitais particulares para a compra de vacinas. O valor a ser cobrado por cada dose também é desconhecido pela instituição.
Entre as pessoas que poderão receber a vacina gratuita, fornecida pelo governo, serão imunizados primeiro os profissionais de saúde e indígenas que vivem em aldeias. As doses foram compradas de três laboratórios diferentes: Glaxo Smith Kline, SANOFI Pasteur,(em parceria como Instituto Butantan) e Novartis.
A expectativa com a campanha é a de que, do total do público-alvo de 91 milhões de pessoas, pelo menos 80% sejam imunizados ao longo de todas as etapas. O Brasil adquiriu 113 milhões de doses para administração da população, em fases distintas.
A partir do dia 22, os mais de 60 mil postos de vacinação espalhados por todo o país estarão abertos para imunizar os grupos prioritários: grávidas em qualquer período de gestação, portadores de doenças crônicas e crianças de 6 meses a menos de 2 anos. Após isso, adultos de 20 a 29 anos, mesmo sem problemas de saúde, devem procurar os postos de vacinação de 5 a 23 de abril.
A logística dos postos é de responsabilidade das secretarias estadual e municipal de saúde, que irão divulgar os locais posteriormente.
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