Fonte: Folha Online | Por Nádia Guerlenda Cabral
Policiais civis da 1ª Delegacia de Saúde Pública do DPPC (Departamento de Polícia e Proteção à Cidadania) apreenderam nesta segunda-feira cerca de 1.000 produtos fitoterápicos irregulares do centro de São Paulo.
Após uma investigação que durou 15 dias, os policiais descobriram que um estabelecimento autorizado a vender alimentos na rua da Glória vendia na verdade produtos fitoterápicos com alegada finalidade medicinal.
Segundo o delegado Marcelo Jacobucci, a farmacêutica indicada nos rótulos como responsável pelos produtos tinha o número de inscrição no CRF (Conselho Regional de Farmácia) inativo. Além disso, o selo obrigatório do SIF (Serviço de Inspeção Federal), do Ministério da Agricultura, tinha número falso.
O delegado informou que os produtos apreendidos prometiam curar doenças que iam de artrite a Aids. "Eram soluções miraculosas, pra saúde física e espiritual, um mix de recomendações que não são comprovadas", disse. Os produtos não possuem autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a venda.
De acordo com o delegado, o proprietário do estabelecimento, Aladio Silva Pereira, 31 --preso em flagrante--, alegou que comprava as substâncias de uma empresa de Sorocaba. A polícia investigou que a suposta fornecedora está fechada há dois anos.
Foram encontradas várias embalagens e rótulos no local, o que comprova, segundo o delegado, que, além de vender falsos medicamentos há cerca de um ano e meio, Pereira embalava e rotulava produtos na loja.
De acordo com as investigações, o estabelecimento vendia os produtos diretamente ao consumidor, por valores entre R$ 30 e R$ 35, e também os fornecia para outras lojas.
Pereira foi preso em flagrante por crime contra a saúde pública, classificado como hediondo, que é inafiançável e tem pena de 10 a 15 anos de prisão. Ele também será acusado pelo crime de falsificação de selo, com pena de 2 a 6 anos.
Segundo o delegado, os órgãos responsáveis serão oficiados para que a interdição do estabelecimento. A Folha entrou em contato com a defesa de Pereira e a sua versão será incluída nesta matéria assim que recebida.
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